Nos últimos dias tenho andado tão triste, sem vontade de fazer quase nada.
Escrevo o que me vem à mente e o que o coração sente. Escrevo contos, componho canções, invento personagens, histórias, amores... Mas nada parece trazer alívio ou quietude ao meu coração.
Às vezes, tenho a impressão de que o mundo está fugindo sob meus pés.
Ontem, no trabalho, perguntei a um amigo:
— Você já se sentiu meio perdido? Com um vazio dentro de si e uma voz, lá no íntimo, dizendo que sua vida não faz muito sentido? Que é só trabalhar, pagar contas, ouvir reclamações da esposa, do patrão... e depois começar tudo outra vez?
Ele nem pensou muito.
— Xiii... Eu me sinto assim o tempo todo!
Depois, com aquele jeito irreverente que algumas pessoas encontram para rir das próprias frustrações, acrescentou:
— Na próxima vida eu quero nascer mulher. Mas uma mulher bem gostosa e vagabunda! Uma puta daquelas de parar o trânsito... dessas de esquina, mas moderna: atendendo também em domicílio!
Eu caí na risada.
Talvez porque, quando a vida pesa demais, até uma bobagem seja capaz de abrir uma pequena janela para respirarmos.
Então respondi:
— Eu não quero tanto. Se pudesse escolher, queria apenas duas coisas: voltar no tempo, talvez para as décadas de 1920 ou 1930... e nascer em outra família.
Depois fiquei pensando naquela conversa.
Talvez a verdade seja esta: nunca estamos completamente satisfeitos.
Passamos boa parte da existência caminhando em direção ao horizonte, correndo atrás do famoso pote de ouro — ou de mel, pouco importa. Acreditamos que, quando finalmente chegarmos lá, alguma coisa extraordinária estará nos esperando.
Só que chegamos... e não encontramos o pote. Então continuamos andando.
Talvez ele nunca tenha existido. Ou talvez — e essa possibilidade me inquieta ainda mais — tenhamos passado por ele durante o caminho e simplesmente não soubemos reconhecê-lo.
Quem sabe a felicidade estivesse naquela conversa despretensiosa com um amigo?
Num café tomado sem pressa. Num abraço que consideramos comum. Numa pessoa que estava ao nosso lado e que acreditávamos que estaria ali para sempre.
Num daqueles dias aparentemente insignificantes que, anos depois, descobrimos terem sido alguns dos melhores de nossa vida.
A verdade, nua e crua, é que nada na vida será perfeito.
Nunca teremos tudo aquilo que desejamos. E talvez seja melhor assim. Porque, se um dia recebêssemos absolutamente tudo o que pedimos, será que saberíamos o que fazer com tanta felicidade?
Será que ainda desejaríamos alguma coisa?
Não sei.
Ultimamente tenho mais perguntas do que respostas.
Pergunto à vida. Pergunto a Deus. Pergunto às pessoas.
E, principalmente, pergunto a mim mesmo. Algumas respostas chegam. Outras permanecem em silêncio.
E assim sigo... Vivendo. Sonhando. Questionando. E escrevendo.
Talvez porque, enquanto eu ainda tiver alguma coisa para escrever, exista dentro de mim alguma coisa procurando uma razão para continuar contando a história.
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Não deixem de ler o Capítulo 20 da série policial O Silêncio das Estruturas.
Foi uma grande aventura escrever este romance, repleto de mistérios, segredos e reviravoltas. Espero que a leitura seja tão envolvente para vocês quanto a escrita foi para mim.
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Boa leitura!
Felipe F. Falcão