FelipeFFalcão

Contos versos e poesias

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O dossiê chegou sem remetente. Nenhum timbre oficial. Nenhuma assinatura. Apenas um envelope pardo deixado sobre a mesa do chefe da investigação numa manhã comum demais para o que viria a seguir.

Dentro, um pen drive e um bilhete curto, escrito à mão:

“Se quiserem entender por que essa carga jamais poderia ser liberada, sigam o dinheiro. E parem de olhar apenas para fora.”

O conteúdo era extenso. Organizado. Assustadoramente preciso. Planilhas, contratos paralelos. Transferências fracionadas entre offshores.

Empresas de fachada em três continentes, e, um nome que fez o ar da sala mudar de densidade.

Helena.

A mesma Helena que participara de reuniões estratégicas. A mesma Helena que defendera “soluções diplomáticas”. A mesma Helena que, nos bastidores, sempre soubera um pouco mais do que deveria.

— Isso é impossível… — murmurou um dos agentes.

O chefe da investigação não respondeu. Apenas mandou fechar a sala.

— Ninguém sai daqui com uma cópia — disse. — A partir de agora, isso não existe oficialmente.

A investigação paralela começou naquela tarde. Sem registros formais. Sem e-mails. Sem sistemas. Tudo verbal. Tudo compartimentado. E quanto mais avançavam, mais claro ficava: o dossiê não exagerava.

As quebras de sigilo bancário, autorizadas sob justificativas genéricas, revelaram um padrão irrefutável. O dinheiro da carga apreendida em Santos não vinha do crime comum. Vinha de cima.

Helena operava como cérebro financeiro de uma rede que distribuía entorpecentes para toda a Europa, usando o Brasil como ponto estratégico. Portos. Zonas cinzentas. Diplomacia como cortina. A carga que detonara a crise entre Brasil e Itália era dela.

Edson estava certo desde o início.

— Ela não intermediava — disse Sarah, ao receber os primeiros relatórios. — Ela comandava.

O choque foi silencioso. Ninguém gritou. Ninguém comemorou. Porque havia um problema. Quando a ordem de localização foi emitida, Helena já não estava mais no país.

O apartamento funcional estava vazio. O celular, desligado. O passaporte diplomático, usado horas antes da deflagração informal da investigação.

— Ela foi avisada — disse o delegado. — E não por acaso.

O mapa de deslocamento indicava fuga organizada. Escalas calculadas. Países sem acordo de extradição imediato.

Helena não corria. Ela executava um plano de evasão.

No local protegido, Edson recebeu a notícia em silêncio. Não havia surpresa em seu rosto — apenas uma confirmação amarga.

— Ela sempre esteve dois passos à frente — disse. — Inclusive de quem achava controlá-la.

Sarah fechou os olhos por um instante.

— Agora o jogo muda de novo — respondeu. — Não é mais derrubar um mandante. É caçar alguém que conhece todos os atalhos.

Edson encarou a janela fechada.

— E que sabe exatamente quem somos.

Do outro lado do oceano, Helena observava o mundo de um lugar seguro, acompanhando as notícias com atenção clínica. Sabia que o cerco começara — mas também sabia que não seria rápido.

Ela sorria.

Afinal, fugas bem-sucedidas não dependem apenas de dinheiro.

Dependem de segredos. E Helena conhecia todos.

— Maldita Niele! — rosnou Helena, cerrando os dentes. — Tudo ia tão bem... até aquela desgraçada expor minha operação naquele maldito romance.

CONTINUA….

—//—

Não deixem de ler o Capítulo 17 da série policial O Silêncio das Estruturas.

Foi uma grande aventura escrever este romance, repleto de mistérios, segredos e reviravoltas. Espero que a leitura seja tão envolvente para vocês quanto a escrita foi para mim.

Depois da leitura, deixem seus comentários e feedback. A opinião de cada leitor é muito importante e ajuda a tornar esta jornada literária ainda mais especial.

Boa leitura!

Felipe F. Falcão

Felipe Felix Falcão
Enviado por Felipe Felix Falcão em 09/09/2026
Alterado em 09/09/2026
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