FelipeFFalcão

Contos versos e poesias

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— Niele! Tem certeza de que foi isso mesmo que você ouviu?

— Foi exatamente o que ouvi. Não sei se era o nome verdadeiro. Eles disseram alguma coisa sobre uma “escritorazinha Niele”. Depois, um deles comentou: “Parece que não sabe de nada relevante... É só um advogado de merda, se metendo onde não devia.”

Sarah não respondeu imediatamente.

Aquela frase parecia ter despertado alguma coisa em sua memória.

— Você tem certeza de que disseram “Niele”?

— Tenho. O nome ficou na minha cabeça.

Sarah se levantou.

— Espere aqui.

— Onde você vai?

— Vou até a sacada. A ligação parece não estar completando aqui. O sinal está fraco.

Ela caminhou até a sacada, afastou o celular do ouvido e procurou um ponto onde o sinal parecesse mais forte. Antes de apertar o botão de chamada, voltou-se para Edson.

— Se essa mulher realmente estiver ligada ao que está acontecendo, talvez ela saiba por que aqueles homens estavam falando de você.

— E se ela não souber?

Sarah finalmente ouviu o celular chamar.

— Então vamos descobrir quem ela é.

A chamada demorou alguns segundos para ser atendida.

— Alô?

Sarah respirou fundo.

— Preciso de uma informação sobre uma mulher chamada Niele. Uma escritora.

Do outro lado, houve um silêncio inesperadamente longo.

— Por que você quer saber dela?

Sarah percebeu imediatamente que havia alguma coisa errada.

— Porque o nome dela apareceu durante uma investigação.

Outra pausa.

Então a voz respondeu, mais baixa:

— Sarah... quem te falou sobre Niele?

Sarah ficou imóvel.

Olhou para Edson.

— Por quê?

— Porque Niele não é alguém que deveria ter aparecido nessa história.

Sarah sentiu um arrepio percorrer o corpo.

— O que você sabe sobre ela?

A resposta demorou.

— Sei que, há alguns meses, ela começou a fazer perguntas sobre a mesma operação que colocou Edson no centro desse problema.

Sarah apertou o telefone.

— Que tipo de perguntas?

— Perguntas sobre a carga. Sobre os estrangeiros envolvidos. Sobre pessoas dentro do governo.

Sarah olhou novamente para Edson.

— E depois?

A voz do outro lado baixou ainda mais.

— Depois, ela desapareceu.

Sarah permaneceu em silêncio por alguns segundos.

— Desapareceu como?

— Sem aviso. Sem deixar endereço. Sem responder às mensagens.

— Você acha que ela foi sequestrada?

— Eu não acho nada.

— Então o que você sabe?

A resposta veio quase num sussurro:

— Na última mensagem que ela me mandou, escreveu apenas uma frase.

Sarah sentiu o coração acelerar.

— Que frase?

— “Se alguma coisa acontecer comigo, procurem o advogado.”

Sarah fechou os olhos por um instante.

Olhou para Edson.

Agora o nome fazia sentido. Niele não era apenas uma testemunha.Talvez fosse a peça que faltava. E talvez alguém tivesse tentado silenciá-la antes mesmo de Edson entrar naquele jogo.

— Qual advogado? — perguntou Sarah.

Do outro lado, a pessoa hesitou.

— Edson Falcão.

Sarah sentiu o estômago revirar. Antes que pudesse perguntar qualquer coisa, a voz continuou:

— Mas, de acordo com uma informação que um amigo, delegado da Polícia Civil, me passou, Niele está desaparecida há alguns dias. Ele disse que já existe uma investigação em curso, mas o caso está sob sigilo.

— Entendo — disse Sarah, pensativa. — Será que você consegue me colocar em contato com esse delegado?

— Creio que sim. Vou falar com ele primeiro.

Depois, retorno para você.

— Obrigada. Creio que podemos nos ajudar mutuamente. Edson acredita ter ouvido os sequestradores mencionarem esse nome. Talvez ela esteja sob o poder das mesmas pessoas que o sequestraram.

Do outro lado, houve alguns segundos de silêncio.

— Se ele ouviu o nome dela enquanto estava em cativeiro... é bem provável.

A ligação terminou.

Sarah permaneceu alguns segundos olhando para o celular. Depois voltou para dentro.

Edson a observava.

— E então?

Sarah guardou o telefone no bolso.

— Acho que acabamos de encontrar outra pessoa no centro dessa história.

— Niele?

Ela assentiu.

— Niele.

***

A decisão foi tomada sem cerimônia. Nada de reuniões longas, nem espaço para negociação. O atentado fracassado encerrara qualquer dúvida que ainda pudesse existir.

— Não é mais uma recomendação — disse o agente da Polícia Federal, em tom firme. — É uma medida necessária.

Edson ouviu em silêncio.

Sarah estava ao seu lado, braços cruzados, o semblante fechado. Ambos sabiam o que aquilo significava, mesmo antes de ser dito em voz alta.

— A partir de agora, o senhor entra no Programa de Proteção — continuou o agente. — Mudança imediata de rotina, endereço sigiloso, deslocamentos controlados e comunicação restrita.

— Em outras palavras — disse Edson, com ironia contida —, eu continuo vivo... mas deixo de existir.

O agente não contestou.

— É temporário — respondeu, sem muita convicção. — Até encerrarmos as frentes de investigação.

Sarah respirou fundo.

— Ele ainda será ouvido?

— Sim. Mas apenas em ambientes controlados. Sem exposição pública. A visibilidade, agora, joga contra.

Edson assinou os documentos com calma.

Cada assinatura parecia um corte simbólico: a vida comum, a autonomia, os pequenos gestos — tudo suspenso por tempo indeterminado.

Duas horas depois, já estava em outro lugar.

O imóvel era funcional, anônimo, quase impessoal. Cortinas fechadas, móveis neutros, câmeras discretas. Dois agentes permaneciam no corredor. Um terceiro fazia a segurança na rua. Proteção total. Liberdade mínima.

Edson caminhou até a janela, mas não a abriu.

— Engraçado — murmurou. — Passei dias preso num galpão... e agora estou aqui, cercado de segurança. A sensação não é tão diferente.

Sarah se aproximou.

— A diferença — disse ela — é que agora você não está sozinho.

Ele se virou para ela.

— E você? — perguntou. — Vai ficar sob esse radar comigo?

Ela sustentou o olhar.

— Já estou — respondeu. — Desde o momento em que decidi não te convencer a ceder.

Houve um silêncio denso entre os dois. Não romântico. Não leve. Um silêncio de escolhas irreversíveis.

— Eles querem me apagar — disse Edson. — Não apenas me matar. Querem me tornar irrelevante.

— Não vão conseguir — respondeu Sarah. — Porque você já disse demais. E porque agora... sabemos onde mirar.

Ela retirou da bolsa um envelope fino.

— O que é isso? — perguntou Edson.

— O próximo passo.

Ela abriu o envelope e espalhou alguns documentos sobre a mesa.

— Mandantes. Intermediários. Dinheiro.

Fez uma pausa.

— Mas isso significa que sua proteção vai durar mais do que disseram.

Edson assentiu lentamente.

— Então que dure — disse. — Desde que termine.

Sarah segurou a mão dele com firmeza.

— Vai terminar — afirmou. — E, quando terminar, alguém vai cair com força suficiente para que nunca mais tentem repetir isso.

Do lado de fora, a vigilância seguia silenciosa.

E, em algum ponto invisível da cidade, alguém começava a entender que eliminar Edson Falcão não seria simples. Porque agora ele não era apenas um alvo. Era prova viva.

CONTINUA….

—//—

Não deixem de ler o Capítulo 15 da série policial O Silêncio das Estruturas.

Foi uma grande aventura escrever este romance, repleto de mistérios, segredos e reviravoltas. Espero que a leitura seja tão envolvente para vocês quanto a escrita foi para mim.

Depois da leitura, deixem seus comentários e feedback. A opinião de cada leitor é muito importante e ajuda a tornar esta jornada literária ainda mais especial.

Boa leitura!

Felipe F. Falcão

Felipe Felix Falcão
Enviado por Felipe Felix Falcão em 25/08/2026
Alterado em 25/08/2026
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