FelipeFFalcão

Contos versos e poesias

Textos


Prólogo


Ninguém constrói um império criminoso começando pelo crime.


Começa-se pela confiança. Pela reputação. Por salas bem iluminadas, discursos técnicos e assinaturas firmes ao final de contratos impecáveis.


O mundo aprende cedo a temer armas, mas raramente desconfia de escritórios.


Durante anos, decisões que afetaram portos, governos e economias atravessaram mesas de madeira nobre sem levantar suspeitas. Papéis mudavam de mãos, números eram ajustados, cláusulas reinterpretadas — e, em algum ponto invisível da cadeia, vidas eram descartadas como custos operacionais.


Nada disso acontecia no escuro. Acontecia à luz do dia.


O problema nunca foi a falta de leis. Foi o excesso de silêncio.


Quando Edson Falcão entrou naquele prédio pela primeira vez, acreditava estar apenas mudando de emprego. Não sabia que cruzava uma fronteira invisível — aquela onde o direito deixa de proteger e passa a esconder.


Há histórias que começam com um crime. Outras começam com uma escolha. Esta começa com alguém que decidiu não se calar. E, ao fazê-lo, descobriu que as estruturas mais perigosas não são as que atacam — são as que permanecem intactas porque ninguém ousa enfrentá-las.


Tudo ia bem até que uma escritora iniciante, escreveu uma história aleatória que acendeu um alerta na rede. Uma investigação foi aberta.


Felipe Felix Falcão
Enviado por Felipe Felix Falcão em 01/06/2026
Alterado em 02/06/2026
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