Cativo de Amor
Na força ardente do querer rendido,
Me entrego inteiro, em laço consentido;
Sem ferros vis, nem dura servidão,
Sou teu cativo por livre devoção.
Na sombra branda da noturna calma,
Onde a lua em véus desnuda a alma,
E as frias luzes do celeste ardor
Testemunham meu jugo — doce amor.
Se ordenas tu, já nasce a obediência,
Que em teu querer encontro a existência;
E ao leve toque do teu puro olhar,
Meu peito em chamas não sabe calar.
Ó sede tua, chama que devora,
Que em mim desperta o fogo que te implora;
Transponho montes, vales, solidão,
Pra ser em ti descanso e redenção.
Ser teu cativo é glória que me invade,
Pois tua dita é minha liberdade;
Se em teu sorriso encontro direção,
Faço da entrega a minha redenção.
E assim me prendo, em doce encantamento,
Que em teu prazer encontro o alento;
Pois sendo teu, sem dor, sem condição,
Sou mais que livre — em tua prisão.
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Inspirado no belo poema ME MATA DE AMOR da nobre poetisa A Morcega…. Visite-a e confira a sua arte.