Se éramos fogo antes do lume,
Promessa antes da voz se dar,
É porque o amor não nasce do encontro,
Mas do que insiste em nos buscar.
Fomos ausência antes do abraço,
Sede antiga sem nome ou chão,
Dois destinos em desalinho
Ensaiando a mesma direção.
Amar-te foi perder-me inteiro,
E nesse perder, me conhecer;
Pois quem se guarda nunca vive,
E quem se entrega aprende a ser.
O tempo, juiz de tudo e todos,
Passou por nós sem nos julgar;
Porque o que é feito de verdade
Nem o tempo ousa apagar.
Se hoje somos mais do que fomos,
É porque o amor nos fez refém:
Da dor que ensina, da espera longa,
Do quase, do nunca, do amém.
E se um dia restar silêncio
Onde hoje há voz e coração,
Que reste ao menos esta verdade:
Amar foi nossa salvação.

Não deixem de conferir o capítulo 24 da série de contos NO DIVÃ!
Está sendo uma aventura incrível dar vida a essa história, e eu espero de coração que vocês se encantem tanto quanto eu estou me encantando ao escrevê-la.
Venham comigo nessa jornada — a leitura já está disponível!