FelipeFFalcão

Contos versos e poesias

Textos


 

Rômulo despertou com o suave aroma de café invadindo o quarto, acariciando-lhe as narinas como um convite ao recomeço. Ao fundo, uma melodia doce preenchia o ambiente, como se a própria manhã cantasse um hino à esperança.

 

Levantou-se devagar, ainda envolto pelo calor do sono bom. Caminhou até a porta que separava a sala da cozinha e ali parou, em silêncio, com um sorriso no rosto.

 

Niele estava de costas, vestida apenas com uma camisola leve, dançando suavemente enquanto cantarolava e preparava panquecas. A música que saía da caixinha de som parecia ter sido feita para aquele instante, para aquela mulher, para aquele amor.

 

 

 

Ah, meu amor, fecha os olhos

Vem, me dá tua mão

Deixa eu cuidar de você,

Te mostrar que é de verdade essa paixão

 

Não sei viver longe de ti

E agora que a vida nos deu nova chance

Me deixa provar, vem confiar

Que o meu amor não é só um romance...

 

É pra casar, é pra durar

É pra sorrir, é pra chorar

Junto contigo, até o fim

Me deixa te fazer feliz... só diz que sim.

 

 

 

— Bom dia! — disse Rômulo, aproximando-se por trás e envolvendo-a com um abraço. — Mas que visão tão bela... E essa música... parece um pedido de casamento.

 

Ela virou o rosto de leve, sorrindo com doçura.

 

— Você acha?

 

— O que posso dizer...? “Me deixa te fazer feliz... só diz que sim.”

 

— Então diga... Rômulo, meu amor, aceita casar comigo?

 

Ele riu, surpreso e emocionado.

 

— Sim. Eu aceito.

 

O beijo que selou aquele instante foi mais que um gesto de amor — foi promessa, entrega, reconciliação com a vida. Entre o aroma do café e o calor do sol que entrava pela janela, o amor tomou forma no corpo e na alma. E ali mesmo, sobre o tapete da cozinha, entre risos e suspiros, fizeram amor. Amor com gosto de recomeço, com cheiro de panquecas, e som de música que ficaria para sempre na memória dos dois.

 

 

***

 

O tempo pareceu correr em ritmo de festa desde aquele café da manhã cheio de música e promessas. Nos dias que se seguiram, Niele e Rômulo começaram, quase sem perceber, a preparar o próprio casamento. Assim que Niele assinou os papéis do divórcio, trinta e cinco dias depois, ela e Rômulo estavam com tudo pronto para contraírem matrimônio.

 

Não houve alarde, nem pompa — apenas o desejo sincero de celebrar a vida juntos.

 

Escolheram uma cerimônia ao entardecer, na mesma praia onde haviam se reencontrado com a leveza da existência. Convidaram poucos amigos e familiares mais próximos. A simplicidade era o que mais importava: o essencial estava no sentimento, não no cenário.

 

No dia marcado, ao som da banda de Rômulo, com canções escolhidas a dedo pelos noivos, o céu parecia abençoar a união. Um dourado suave tingia as nuvens; o vento brincava com as flores claras presas em fitas de palha e linho. A areia sob os pés descalços era como um tapete natural, e o som das ondas substituía qualquer música de entrada.

 

Nelie surgiu linda, com um vestido leve, esvoaçante, e uma guirlanda de flores miúdas no cabelo. Caminhava em direção a Rômulo com os olhos marejados de alegria, como se cada passo dissesse: “Eu venci.”

 

Rômulo, de camisa branca e calça clara, esperava-a com um sorriso que misturava paz, emoção e encantamento. Quando ela chegou perto, ele segurou suas mãos com firmeza terna.

 

Não houve padre, nem rito tradicional. Apenas um juiz, uma escrivã e os dois, frente a frente, trocando votos vindos do coração. Judy e Raul, filhos de Rômulo, entregaram as alianças.

 

— Niele… — disse Rômulo, com a voz embargada — eu te escolho hoje e todos os dias. Te escolho com tuas cicatrizes, com tua força, com tua ternura. Prometo não fugir quando o tempo for difícil, e ser abrigo quando a dor bater à porta. Prometo rir contigo, andar ao teu lado, e te lembrar sempre que a vida vale a pena quando temos alguém que amamos de verdade.

 

Ela respirou fundo, os olhos fixos nos dele.

 

— Rômulo… eu te escolho na inteireza do que és. Te escolho com tuas dores e teus sonhos. Prometo cuidar da tua alma quando estiver cansada e do teu corpo quando precisar de descanso. Prometo estar contigo mesmo em silêncio, mesmo nas incertezas. Prometo nunca esquecer que o amor, quando é verdadeiro, é paciência, é construção, é lar.

 

Quando se beijaram, a pequena plateia aplaudiu com lágrimas e sorrisos. Era mais que um casamento — era a celebração de duas almas que se encontraram depois da tempestade e decidiram fazer da vida um abrigo mútuo.

 

Naquela noite, dançaram na areia, comeram bolo de coco, beberam vinho simples e riram como se fossem dois adolescentes apaixonados. Mas eram mais que isso — eram sobreviventes do amor. E por isso, tudo era mais intenso, mais verdadeiro, mais eterno.

 

 

--//--

 

Não deixem de conferir o capítulo 18 da série de contos NO DIVÃ!

 

Está sendo uma aventura incrível dar vida a essa história, e eu espero de coração que vocês se encantem tanto quanto eu estou me encantando ao escrevê-la.

 

Venham comigo nessa jornada — a leitura já está disponível!

 

 

 

 

 

 

Felipe Felix Falcão
Enviado por Felipe Felix Falcão em 25/11/2025
Alterado em 27/11/2025
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