FelipeFFalcão

Contos versos e poesias

Textos


 

 

Os dias na praia estavam fazendo um bem imenso a Niele. A brisa salgada, o barulho constante das ondas e o calor suave do sol pareciam lavar, pouco a pouco, as angústias que ela carregara por tanto tempo. Pela manhã, caminhava descalça pela areia, sentindo os pés afundarem levemente a cada passo, como se deixasse para trás, a cada pegada, uma lembrança dolorosa. Estava mais leve. Mais serena. Ria com mais facilidade e dormia com mais paz. Já não pensava tanto nos dias difíceis que enfrentara.

 

Naquela tarde, o céu começava a mudar de tom. O azul intenso se dissolvia em pinceladas douradas e alaranjadas, anunciando o entardecer. Dentro da casa, uma brisa suave entrava pela varanda aberta, fazendo as cortinas dançarem lentamente.

 

Rômulo apareceu na sala, vindo da cozinha, segurando duas xícaras fumegantes de café. Tinha um sorriso leve nos lábios e os olhos mais vivos do que nos últimos dias.

 

— Querida — disse ele, estendendo uma das xícaras —, estava aqui pensando… o que você acha de sairmos esta noite? Jantar fora, tomar um sorvete no calçadão… e, quem sabe, na volta, fazermos um amorzinho bem caliente?

 

Niele pegou a xícara, ergueu as sobrancelhas e sorriu, surpresa com a leveza no tom dele.

 

— Humm… olha só quem está melhor! Já pensando em fazer coisinhas…

 

— Ué — ele riu —, não posso mais? Você mesma disse que a praia ia nos fazer bem.

 

Ela tomou um gole do café e observou a expressão divertida de Rômulo.

 

— Poder, você pode. Aliás, deve. Mas quero ver se tem fôlego pra tudo isso… jantar, sorvete, calçadão… e ainda “coisinhas calientes”?

 

— Quer apostar? — provocou ele, aproximando-se para beijar-lhe o rosto. — Só preciso de você do meu lado. O resto vem com o embalo.

 

Ela riu baixinho, encaixando o rosto no peito dele por um instante.

 

— Então tá combinado. Mas ó… o sorvete não vale esquecer.

 

— Jamais! — declarou, em tom solene. — Principalmente se for de coco com chocolate.

 

E assim, entre sorrisos e pequenos carinhos, começaram a se preparar para uma noite que prometia virar mais uma boa lembrança — dessas que a praia parecia estar devolvendo aos poucos para eles.

 

 

***

 

Mais tarde, vestidos com roupas leves e confortáveis, seguiram de mãos dadas pela orla. A noite estava morna, o céu limpo e estrelado, e o som das ondas se misturava ao murmúrio tranquilo das pessoas que passeavam pelo calçadão.

 

Jantaram em um restaurante rústico de frente para o mar. A varanda, iluminada por lâmpadas de filamento, criava um ambiente acolhedor, quase mágico. Sentaram-se junto à grade de madeira, de onde podiam observar as ondas quebrando lá embaixo e o reflexo da lua dançando na água.

 

— Há quanto tempo a gente não fazia isso? — perguntou Niele, segurando o talher com uma mão e a dele com a outra.

 

— Tempo demais — respondeu Rômulo, olhando-a com carinho. — Mas nunca é tarde pra recomeçar.

 

Conversaram sobre tudo e sobre nada. Riram, lembraram histórias antigas, falaram de filmes que queriam ver e de receitas que desejavam aprender a cozinhar juntos. Havia entre eles uma leveza nova — como se a dor que antes os cercava tivesse dado uma trégua para permitir que o amor respirasse de novo.

 

Depois do jantar, caminharam pelo calçadão. Pararam numa sorveteria charmosa, daquelas com vitrine de sabores artesanais. Ele escolheu coco com chocolate, como havia prometido. Ela foi de maracujá com hortelã.

 

— Quer provar? — perguntou ela, oferecendo a colher.

 

— Só se for da sua boca — respondeu ele, com um sorriso malicioso.

 

Ela riu e deu-lhe um beijo melado de sorvete.

 

— Amor caliente é isso aí — brincou.

 

De volta à casa, entraram devagar, em silêncio. Mas era um silêncio cheio de presença — desses que pertencem apenas a quem já se entende com os olhos.

 

No quarto, a luz amarelada do abajur derramava um brilho morno sobre a cama arrumada, criando sombras suaves que pareciam convidá-los a se aproximar. O ar estava perfumado pelo sal leve que ainda vinha da praia, misturado ao cheiro do café que haviam tomado mais cedo — um perfume que pertencia àquele dia, àquela noite, àquele momento.

 

Niele tirou os brincos devagar, como quem solta o corpo das formalidades. Rômulo desabotoou a camisa, mas fez isso sem tirar os olhos dela — havia um desejo tranquilo, seguro, que não pedia pressa.

 

Ela deu dois passos na direção dele. Ele deu um passo na direção dela. Encontraram-se no meio, como sempre faziam quando lembravam que ainda eram um do outro.

 

Quando se beijaram, foi com uma calma ardente — a calma de quem já conhece o caminho, e a ardência de quem quer percorrê-lo de novo, com mais cuidado, mais fome, mais entrega. Os lábios se tocaram primeiro como um reconhecimento; depois, como um reencontro: quente, profundo, cheio do que tinham guardado em silêncio nos últimos dias.

 

Rômulo deslizou os dedos pela nuca de Niele, sentindo o arrepio que subiu na pele dela. Ela respondeu puxando-o pela camisa aberta, aproximando seus corpos até não haver nem um sopro de distância. O beijo se prolongou, tornando-se mais lento, mais íntimo, como se os dois estivessem descobrindo novas maneiras de sentir o familiar.

 

— Eu te amo — murmurou ele, a voz rouca de emoção e desejo.

 

Niele fechou os olhos, encostando a testa na dele.

 

— Eu também te amo… — respondeu, mas o sussurro veio carregado de calor, como se fosse o início de algo que se acendia entre eles.

 

E o que veio depois não foi apenas o toque dos corpos, mas o encontro de tudo o que haviam recuperado naquela noite — a leveza, a saudade, o desejo sereno, a ternura — entrelaçados num amor que renascia devagar, quente, inteiro, sob o som distante do mar.

 

 

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Não deixem de conferir o capítulo 17 da série de contos NO DIVÃ!

 

Está sendo uma aventura incrível dar vida a essa história, e eu espero de coração que vocês se encantem tanto quanto eu estou me encantando ao escrevê-la.

 

Venham comigo nessa jornada — a leitura já está disponível!

 

 

 

 

 

 

Felipe Felix Falcão
Enviado por Felipe Felix Falcão em 22/11/2025
Alterado em 22/11/2025
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