FelipeFFalcão

Contos versos e poesias

Textos


 

 

A estrada estava tranquila. O rádio tocava baixinho, preenchendo o silêncio confortável entre os dois. De vez em quando, Rômulo estendia a mão e segurava a de Niele sobre o câmbio, como quem diz sem palavras: Vai dar tudo certo.

 

O mar apareceu no horizonte pouco depois das dez da manhã, com aquele brilho azul que parece lavar a alma. Niele sorriu, emocionada. Era como se o mundo lá fora estivesse em pausa, e só existissem eles dois e o som das ondas esperando por acolhê-los.

 

Ao chegarem, deixaram as malas no quarto e foram direto para a areia. Sentaram-se lado a lado, sem pressa, sentindo a brisa no rosto. Pela primeira vez em muito tempo, o silêncio não era peso — era paz.

 

Mais tarde, quando o sol começava a se deitar no mar, pintando o céu de laranja e dourado, Rômulo e Niele caminhavam de pés descalços pela beira da água. O som das ondas vinha como um acalanto, e o vento leve brincava com os cabelos dela.

 

— Fazia tempo que eu não me sentia assim… leve — disse Niele, olhando o horizonte.

 

Rômulo a observou de lado, com ternura.

 

— Você merece isso, Nê. Depois de tudo o que passou... era hora de respirar um pouco.

 

Ela assentiu, com um sorriso breve e cansado.

 

— Às vezes eu achava que não ia conseguir. Que estava quebrada por dentro, sabe? Como um copo rachado... ainda de pé, mas prestes a se despedaçar.

 

Rômulo parou, puxando-a suavemente para perto de si.

 

— Se você estiver quebrada, eu fico aqui recolhendo cada pedaço. E, se precisar colar tudo de novo, eu colo. Com calma. Todo dia, um pedacinho.

 

Niele encostou a cabeça no ombro dele. Ali, entre o mar e o silêncio, sentiu que talvez estivesse mesmo começando a voltar para si.

 

 

***

 

Seguiram caminhando à beira-mar. Em determinado momento, Niele quebrou o silêncio.

 

— Rômulo… posso te fazer uma pergunta? Se você se sentir incomodado, não precisa responder. Eu vou entender.

 

Ele sorriu de lado.

 

— Sem problemas, pode perguntar.

 

— Nós estamos juntos há seis meses. Você tem sido maravilhoso… companheiro, amigo, um ótimo amante. Mas tem algo que me incomoda. Quando você ficou internado por três meses, seus filhos foram te visitar quase todos os dias… mas a sua ex não apareceu nenhuma vez.

 

Rômulo demorou um instante antes de responder.

 

— Bem, Nê… eu imaginava que esse assunto viria à tona em algum momento. Mariana… é uma pessoa complicada. Acho que sei o que você quer saber.

 

Respirou fundo.

 

— Ela sempre foi muito crítica. Nada do que eu fazia parecia bom o bastante. A gente mal conversava, e quando conversava, era sempre com ela armada, como se eu fosse um inimigo. Se eu tentava me explicar, ela vinha com aquele discurso: “Eu só disse, não precisa fazer discurso…”. Aos poucos, fui me afastando, porque perto dela eu me sentia sozinho. No fim, pedi o divórcio. Ela não aceitou bem e, desde então, só nos falamos por meio dos advogados.

 

Niele o olhou com atenção.

 

— Desculpa… eu não queria mexer em algo que te machucasse.

 

— Não tem problema — disse ele, sereno. — Faz parte da minha história.

 

— Eu também tive um relacionamento difícil com meu ex — confessou ela. — Também só converso com ele através de advogados.

 

Rômulo sorriu com uma mistura de tristeza e alívio.

 

— Parece que nós dois fomos infelizes em nossos casamentos… mas agora estamos escrevendo outra história.

 

Eles pararam de caminhar. Rômulo puxou Niele para um abraço firme, encaixado.

 

— Só tenho a agradecer a Deus por ter te encontrado, Nê. E peço a Ele que permita que a gente seja feliz… juntos.

 

Niele fechou os olhos e o abraçou de volta, sentindo a maré subir suavemente pelos pés — como se o próprio mar abençoasse aquele novo começo.

 

 

--//--

 

Não deixem de conferir o capítulo 15 da série de contos NO DIVÃ!

 

Está sendo uma aventura incrível dar vida a essa história, e eu espero de coração que vocês se encantem tanto quanto eu estou me encantando ao escrevê-la.

 

Venham comigo nessa jornada — a leitura já está disponível!

 

 

 

 

 

 

Felipe Felix Falcão
Enviado por Felipe Felix Falcão em 16/11/2025
Alterado em 16/11/2025
Copyright © 2025. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.


Comentários

Site do Escritor criado por Recanto das Letras