Nota aos leitores:
Estava fazendo um comentário à nobre poetisa A Morcega, sobre o texto “Meu medo de chegar a ser idosa nada tem a ver com estética física”. E, relendo o comentário, ele me pareceu tão revelador que decidi publicá-lo em forma de crônica...segue abaixo.
Um Dia de Cada Vez
Por Felipe F Falcão
Bom dia, nobre poetisa — e poetas que por aqui passam.
Bom dia Nobre poetisa A Morcega! Contrariando seu aviso ao final do texto, “meu medo de chegar a ser idosa nada tem a ver com a estética física”, ouso dizer: temos mesmo que viver um dia por vez. A vida não se entrega aos nossos planos — ela se revela, paciente, nos pequenos gestos do cotidiano.
Quando me casei com minha dileta esposa, em 1998, sonhávamos em ter filhos. Mas eu estava começando um pequeno negócio, trabalhava de domingo a domingo, e os dias passavam num sopro. Às vezes chegava em casa, num sábado qualquer, às onze da noite, já com uma pizza nas mãos — tentando compensar com carinho o tempo roubado pelo trabalho.
Depois veio a doença. Fiquei muito doente — tão doente que, por um tempo, pensei que não viveria por muito mais. Os médicos nada descobriam, e eu apenas esperava que o destino se definisse. O tempo passou... e quando dei por mim, os anos haviam levado a juventude, os sonhos de paternidade e até nossos fiéis companheiros de estimação, que partiram há pouco mais de um ano.
Mas a vida, teimosa como é, sempre encontra um jeito de recomeçar. Estamos providenciando outros animaizinhos — e, de algum modo, é como reacender um lume em meio à penumbra.
Divaguei, é verdade... Voltemos ao tema: envelhecer com sabedoria e dignidade. Eis a tarefa que nos cabe. Cultivar boas amizades, viver bem com quem nos completa — este último ponto é essencial, pois, no fim, quando o mundo se cala, é o amor que permanece.
Devemos aproveitar a vida enquanto há saúde, enquanto o corpo ainda permite os pequenos prazeres: um salaminho bem curado, uma boa cerveja, ou um vinho acompanhado de queijos e risadas.
Quanto ao seu comentário sobre minha suposta facilidade para criar... sinceramente, não sei explicar. É algo que vem de dentro — uma força maior, coisa de Deus. Desde menino fui assim. Aos nove, já sonhava em ser escritor. Desisti aos vinte, mas a vida — essa teimosa — fez com que eu retomasse a escrita em 2005.
Desde então publiquei cinco livros, de forma independente. Nenhum “emplacou”, como dizem, mas sigo firme. Porque, no fim, o que me move não é a fama, e sim o desejo de dar voz ao que vive em mim.
Obrigado por suas palavras generosas.
Parabéns pelo seu talento.
E que nunca nos faltem luz e paz — essas companheiras fiéis do caminho.
Biografia – Felipe F Falcão
Felipe F Falcão é poeta, escritor e compositor. Publicou as obras “As Folhas do Outono Passado” e “Versos e Sonhos” (poesia), “Em Busca de uma Nova Era” e “Triângulo Amoroso” (romance), e “Conflitos de um Assassino” (romance policial). Também é autor das canções “Quarenta Graus” e “Sorriso Encantador”, disponíveis no Spotify. Sua arte reflete o amor, o tempo e as pequenas luzes que resistem no coração humano, transformando vivências e sentimentos em poesia e melodia.