FelipeFFalcão

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Entre Flores e Silêncios

 

No último dia 3, peguei a estrada com minha princesa e amigos, rumo a Holambra — um pedacinho da Holanda perdido no coração do interior paulista. A manhã ainda guardava um sopro frio, mas o sol, tímido, já se erguia, dourando a viagem com sua promessa de luz.

 

Holambra… nome tecido pela junção de três mundos: Holanda, América e Brasil. Fundada nos anos 40, cresceu cercada por campos coloridos, até ganhar o título de “Cidade das Flores”. Entre agosto e setembro, a Expoflora transforma suas ruas num espetáculo para os sentidos: aromas, cores e músicas que parecem abraçar cada visitante.

 

 

Chegamos por volta das nove, depois de um café da manhã saboroso numa parada de estrada de nome "FRANGO FRITO"... Nos esbaldamos... Brincadeiras à parte, nada de frango frito dessa vez — pedi um pedaço de bolo de milho com suco de laranja; minha esposa preferiu café com pão na chapa; e o casal de amigos que acompanhávamos optou por cafés fumegantes, pão na chapa e coxinha de frango. O humor estava leve, o dia promissor.

 

Assim que passamos pelo pórtico de boas-vindas, a cidade se abriu em flores, e nós nos abrimos em sorrisos. A câmera não descansava; queríamos guardar cada cor, cada detalhe, como quem teme que a beleza escape entre os dedos.

 

 

Na fazenda das flores, guiados por uma voz serena, caminhamos entre estufas, onde pétalas se ofereciam ao olhar como pequenas preces. Depois, livres para explorar, nos perdemos de propósito: entre cores e perfumes, era impossível não sentir que Deus havia assinado cada folha.

O almoço nos levou ao Parque Van Gogh. Um lago espelhava o céu, enquanto pedalinhos riscavam sua superfície. Havia lojas, um sorvete feito de flores e um silêncio doce que convidava a desacelerar o coração — silêncio apenas quebrado pela música típica holandesa que vinha de uma lojinha ao fim do parque. Ficamos ali, respirando leveza, como se o tempo tivesse dado um passo para trás.

 

Mas a estrada, sempre ela, nos chama de volta. Ao cair da noite, chegamos a São Paulo. Lá, no Vila Alpina, não havia flores, mas coroas. Não havia risos, mas abraços demorados. Demos o último adeus ao pai de uma amiga que partiu e, entre lágrimas, ainda encontramos algum consolo no calor da família e dos amigos.

 

Foi um dia feito de contrastes: manhãs douradas e noites silenciosas, jardins cheios de vida e despedidas inevitáveis. E assim, entre flores e silêncios, entendi que a vida é esse delicado entrelaçar de alegrias e dores — e que é justamente essa mistura que a torna tão preciosa.

 

 

Um Mar de Flores (com áudio)

 

 

Um mar de flores no quintal,

Pássaros soltam o vocal,

Abelhas dançam no ar,

De flor em flor,

Colhendo o mel do amor...

 

O céu, de um azul sem fim,

Carrega risos pra mim,

E o tempo parece parar...

Gente passando devagar,

E eu sentindo

Que é aqui meu lugar.

 

 

Tem cheiro doce no vento,

Um sol que beija meu pensamento...

Me vejo inteiro nesse lugar,

E algo em mim quer ficar...

Quer ficar...

 

Entre os perfumes, entre os sons,

O mundo canta em tons bons...

E o coração, sem se explicar,

Decide: é aqui que vai morar...

 

Tem céu, tem flor, tem cor no olhar,

Tem paz que vem só de estar...

Num mar de flores,

Eu quero ficar...

 

 

 

P.s.: Se você ainda não leu o capítulo 34 da série de contos Entre a Vida e a Morte, corra lá e confira! Se já leu, me conta: está ou não está impecável?

 

 

 

 

Felipe Felix
Enviado por Felipe Felix em 09/08/2025
Alterado em 12/08/2025
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