Ela Não Mudou. Fui Eu.
Hoje li um poema: "Para o Maior Amor do Mundo", de Sicília Tendresse, que me despertou algo raro. Não era só bonito — era verdadeiro. Tão verdadeiro que me atravessou como um espelho limpo, desses que não perdoam a poeira da alma.
O poema falava sobre a vida, sobre viver com arte, sobre acordar e se cuidar como quem se ama de verdade. E, de repente, me vi lembrando de uma amiga. Curiosamente, não importa o horário em que você chegue à casa dela: ela está sempre linda. Sempre bem arrumada, com aquele perfume de quem vai sair para uma festa — mesmo que vá só até a varanda tomar um café. Ela sorri, fala com leveza, parece sempre de bem com a vida. E não é que ela não tenha problemas — ela apenas escolheu não se afundar neles.
Então, uma ficha caiu: Não é que minha esposa tenha se tornado estressada com o tempo. Não é que ela tenha deixado de sorrir. Fui eu.
Fui eu quem desaprendeu a viver com ela. Fui me recolhendo em mim mesmo, vivendo só para dentro, esquecendo do “nós”, esquecendo de partilhar o encanto dos pequenos momentos.
Ela não mudou. Eu é que parei de convidá-la para viver comigo.
Talvez eu tenha deixado de reparar nos olhos dela ao acordar, ou em como ela se arruma, ainda que disfarçadamente, esperando um elogio. Talvez eu tenha me tornado tão acostumado à presença dela que esqueci de celebrá-la.
A vida a dois também é uma arte. E, como toda arte, exige presença, entrega, sensibilidade.
Talvez ainda haja tempo. E agora, ao menos, há consciência.
Aquele poema não me ensinou só a viver com mais leveza. Ele me ensinou, com delicadeza, que o amor só resiste quando é cuidado.
Obrigado, Sicília Tendresse. Você não só me fez pensar — me fez despertar.
Visite-a : Para o Maior Amor do Mundo
De: Sicília Tendresse.
P.S.: Se você ainda não leu os capítulos 31-32 da série de contos ENTRE A VIDA E A MORTE, corra la e confira, quem já leu disseram que está imperdível.